top of page
Buscar


Newsletter - 06/03/26
Como nasce um poema. Ou uma carta curta porque a correria anda grande. Trilha sonora para essa edição: Sun//Rain, Clariloops I Deitada na rede ao lado da janela, tomo um café já quase morno e leio um livro de poesia. Penso que nunca mais consegui escrever assim, como fazem os poetas. Sinto um comichão nas mãos, estalo o dedo mindinho com o polegar da mesma mão. A esquerda. Aquela que deveria ser a da criatividade? Já não sei se essa relação entre hemisférios do cérebro e lado

Anna Davison
há 4 dias


Newsletter - 27/02/26
Trilha sonora para essa edição: Mona Ki Ngi Xica, Bonga M.C.Escher - house of stairs 1951. Recorte da gravura original. Domínio público Numa noite dessas eu acordei com os dois primeiros versos de uma poesia ecoando no quarto. Isso me é incomum. Na maior parte das vezes, sonhos com títulos, temas, melodias e até enredos. É raro que o lampejo venha quando estou entre o sono e a vigília. Mas foi um desses casos. Era como se alguém tivesse sussurrado os versos, e eu milagrosamen

Lívia Vitenti
28 de fev.


Newsletter - 20/02/26
Luz, sombra, cutículas e outras incertezas mais. Trilha sonora para essa edição: Pieces from places, Passeport Duo I Minhas cutículas crescem na mesma velocidade com que os reflexos da luz atravessando a persiana se formam na parede. Parece que elas vão tomar todo o comprimento das minhas unhas e me impedir de escrever. Mas, deixa eu começar de novo. Da cama, vejo os reflexos que a luz do sol lança na parede. Ao longe, o som de algum bloquinho de carnaval. Nas minhas mãos um

Anna Davison
20 de fev.


Newsletter - 13/02/26
Bacia de Hadar, Etiópia, onde Lucy foi encontrada em 1974. Insitute of Human Origins, Arizona State University. Trilha sonora para essa edição: Yèkèrmo Sèw, Mulatu Astatke Imagino Lucy correndo por um relevo que só existe na minha cabeça. Há 3,2 milhões de anos, como seria a bacia de Hadar? Seria árida e rochosa como hoje em dia? Mais provável que não. Provavelmente havia matas ciliares, lagos, pedreiras, rios e paisagens abertas. Imagino Lucy correndo pelas pradarias, aden

Lívia Vitenti
13 de fev.


Newsletter - 06/02/26
O grande ar das palavras. Trilha sonora para essa edição: Loneliness is a state of mind, The Kyoto Connection I Tem um enorme bolsão de ar entre minha pele e o mundo. Para dentro, nesse emaranhado de nervos, veias, músculos, ossos e sangue, pulsa alguma coisa que não ando sabendo definir. Para fora, o bolsão parece impedir que eu me sinta parte do emaranhado de sons, cheiros, texturas e luzes. II Há dois dias, viajei de carro por quase mil quilômetros. Da janela em movimento,

Anna Davison
6 de fev.


newsletter - 30/01/26
Trilha sonora para essa edição: Movimiento - Jorge Drexler “Será que cheguei ao fim de todos os caminhos E só resta a possibilidade de permanecer? Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada Ou será ela a própria caminhada? Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram — Espírito! E gritaram — Coragem! Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha Que fecha tudo à libertação? Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos Ou cairei lutando contra o impossível que antolha

Lívia Vitenti
30 de jan.


Newsletter - 23/01/26
A Sarabatana está de volta! Calor em Brasília, frio em Montreal. Nós parecemos andar assim, nos últimos meses. Uma está sempre em casa, a outra sempre leva o lar pra onde vai. Uma sente pressa, a outra anda com mais calma. Uma quer ler mais, a outra quer escrever mais. Uma está contando as horas dos dias, a outra não vê as horas passarem. Nesse aparente descompasso, de dias, temperaturas, gostos e urgências, uma coisa nos unia e nos une na mesma cadência: a Sarabatana. Nossa
Revista Sarabatana
23 de jan.


Newsletter - 12/12/25
As sombras que caminham pelas paredes ainda são as mesmas. Trilha sonora para essa edição: Cocoon, Haruhisa Tanaka I Estar em casa é também enlouquecer. II Terminei um dos poemas do escrever de boca aberta , livro que publiquei ano passado pela Editora TAUP, com essa frase. No poema, eu falo de uma viagem de carro, durante a pandemia, entre a fazenda dos meus pais, perto de Brasília, onde eles estavam isolados, e São Paulo, onde eu vivia. Os tempos eram estranhos, como bem sa

Anna Davison
12 de dez. de 2025


Newsletter - 28/11/25
Matéria de sonhos. Ou uma longa despedida. Trilha sonora para essa edição: Circulation, H. Takahashi I Daqui pouco mais de 48 horas vou embora da Argentina sem data para voltar. Há pouco mais de 30 dias, me depeço da cidade. Caminho lentamente e tento gravar na memória os pequenos detalhes que me encantam. Quero as novas aventuras, cidades, comidas, pessoas, mas hoje, quero acumular matéria para meus sonhos: o sorvete de doce de leite a medialuna con jamón y queso a carne tão

Anna Davison
28 de nov. de 2025


Newsletter - 21/11/25
Escrever na água. Trilha sonora para essa edição: A Harp Note to Emily Dickinson, Anne Vanschothorst I É difícil escrever na claridade. É difícil escrever no escuro. É difícil escrever na água. É difícil escrever. II Há semanas venho falando dessa espécie de bloqueio que vem tornando a escrita das newsletters mais difícil. Na verdade, é a escrita que parece estar me escapando. Busco em muitos lugares onde está aquele desejo de colocar no papel as pequenas sensações diárias ao

Anna Davison
21 de nov. de 2025


Newsletter - 14/11/25
Não quero escrever essa newsletter. Trilha sonora para essa edição: Eravamo senza saperlo, Teho Teardo e Stefano Bollani I Não quero escrever essa newsletter. Estou sentada na biblioteca, em uma mesa antiga com uma cadeira pomposa, mas não quero escrever essa newsletter. Decido ir até o café, 4 pisos abaixo, onde peço uma torta de alho poró e um chá. Minha mãe diz que, quando eu era criança e não queria comer, bastava me oferecer alho poró. Hoje, porém, comer a torta não me a

Anna Davison
14 de nov. de 2025


Newsletter - 07/11/25
É preciso paciência para pescar um poema. Trilha sonora para essa edição: Sakura, Susumo Yokota I Vou embora de novo em menos de um mês. Como sempre, ando pela cidade com um misto de tristeza e saudade antecipada. Tento lembrar do que não me agrada para ver se consigo fazer a partida menos dolorosa. Não funciona, acabo só ficando triste mesmo. Passo batom vermelho de manhã, para ver se me sinto melhor, saio para andar, sento em um café para tomar um chá. A música é (quase) se

Anna Davison
7 de nov. de 2025


Newsletter - 31/10/25
Frio. Trilha sonora para essa edição: Sounds of healing in isolation, Spirituals I Buenos Aires segue fria. Hoje é o último dia do mês de outubro e o frio insiste em voltar. Percebo que mudei, já não me incomodo tanto com a falta de calor. Assim como já não me incomodo tanto com ter meus planos, de algum modo, frustrados. Aprendo aos poucos a seguir as coisas com o ritmo mais lento dos que não sofrem da necessidade de tudo ver. Ou de tudo escrever. II Houve uma semana, durant

Anna Davison
31 de out. de 2025


Newsletter - 24/10/25
Carta adiantada, por motivo de viagem. Trilha sonora para essa edição: Birthingbodies, Fuubutsushi I Fomos a uma feira de fotografia no fim de semana. Muitos estandes, de diferentes galerias, tinham faixas anunciando ”frágil” sobre as fotos. Nenhuma delas era, de fato, frágil. Quer dizer, as molduras e o vidro que as cobre podem ser frágeis, mas não as fotografias. Se bem que, se expostas ao sol de maneira inadequada, também as fotografias podem ser frágeis. II É claro que nã

Anna Davison
23 de out. de 2025


Newsletter - 17/10/25
Carta conjunta para um anúncio importante! Trilha sonora para essa edição: In transit, Lia Kohl e Zander Raymond Essa é nossa primeira newsletter conjunta. Uma carta diferente para anunciar novos ventos. Há mais de três anos, nos reencontramos, depois de décadas sem nos ver, e demos match. Quem nos acompanha há mais tempo sabe que nos conhecemos na UnB, quando estudávamos antropologia, mas perdemos contato por muito tempo. Quis o destino que nos encontrássemos em Montreal em
Revista Sarabatana
17 de out. de 2025


Newsletter - 10/10/25
Escrever é a única coisa que me faz não sentir sono a maior parte do tempo. Trilha sonora para essa edição: Your parting gift, Kita Kouhei I Dizem que é por causa da posição de Saturno no meu mapa astral que as coisas acontecem mais tarde para mim. Não sei até que ponto acredito ou não acredito nisso, mas não posso negar que demoro a perceber certas coisas. Como já comentei muitas vezes por aqui, passei tempo demais perseguindo uma vida que eu achava que era a certa para mim.

Anna Davison
10 de out. de 2025


newsletter - 03/10/25
Aaron Cohen, Canadian Museum for Human Rights Trilha sonora dessa edição: A Mulher do Fim do Mundo, Elza Soares Eu não sou um mito, eu sou a continuação do mundo. Essa frase é de Joséphine Bacon, a poeta innue da qual já venho falando há um tempo com vocês. É uma frase que faz todo o sentido para a realidade dos povos indígenas. Mas, para mim, por que ela é tão impactante? Ela é tão impactante que a coloquei no meu próximo livro, que pretendo terminar ainda esse ano (estare

Lívia Vitenti
3 de out. de 2025


Newsletter, 26/09/25
Correr atrás da bola. Ou o que é ser livre? Trilha sonora para essa edição: De cara a la pared, Lhasa de Sela I “Talvez seja isso o que procuramos ao longo da vida, nada além disto, o maior sofrimento possível para nos tornarmos nós mesmos antes de morrer”. A frase é do Céline e eu a li no livro Outras vidas que não a minha , do Emmanuel Carrére. Li e reli essas duas linhas algumas vezes, queria entender o que essa ideia significa para mim. Fiquei me perguntando se temos mesm

Anna Davison
26 de set. de 2025


Newsletter - 19/09/25
Trilha sonora dessa edição: Ausência, Itamar Assumpção, Bandaísca Um dos melhores exercícios para minha saúde mental é escrever o que estou sentindo. Nessas horas eu não me importo se o que produzo é bonito, poético, instigante. Eu simplesmente coloco pra fora, como se estivesse em uma sessão de análise. É interessante notar como, em geral, gosto do que eu leio, depois do momento de desabafo. Inclusive, falando em psicanálise, o meu analista sempre afirma isso: quanto mais eu

Lívia Vitenti
19 de set. de 2025


Newsletter - 12/09/25
Rezar um terço. Trilha sonora para essa edição: Strange clouds, Passepartout duo e INOYAMALAND I Uma chuva fina e permanente molhava minha calça jeans azul como o céu do outro lado das nuvens entramos na igreja e soltei alguma interjeição de espanto Na luz do confessionário o padre lia o que interpretei ser a bíblia mas podia ser o último livro da Laura Wittner ou da Mariana Henriquez provavelmente da Mariana Henriquez Tentei fotografar o padre sentado no confessionário sob

Anna Davison
12 de set. de 2025
bottom of page