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(quase) newsletter - 29/05/26
Estou trabalhando há semanas para colocar no ar a Sarabatana 9 (o que deve acontecer daqui até segunda!), por isso, hoje não tem newsletter. Mas, para compensar, deixo um livro (que li essa semana e me deixou muito apaixonada), um disco e um filme (que eu adoro), como sugestões para o seu final de semana: 📖 Handiwork, Sara Baume 🎧 Esja, Hania Rani 📽️ Silvia Prieto, Martín Rejtman, Argentina, 1999 Ah, e um vídeo de uns leões marinhos na Terra do Fogo, porque eles me deixam

Anna Davison
29 de mai.


Newsletter - 22/05/26
Guardo minhas palavras e o meu silêncio no mesmo lugar em que guardo minha alma. Trilha sonora para essa edição: Papageno, Papagena, Wolfgang Amadeus Mozart Eu sempre expressei meus sentimentos através das palavras. Quando não verbalizo o que sinto, fico mal. Sei expressar carinho e atenção com atitudes? Sim, sem problemas. Mas é realmente na fala e na escrita que consigo me comunicar de forma mais direta. Não sou dada a meias palavras, nem a indiretas. Mas já me aconteceu de

Lívia Vitenti
22 de mai.


Newsletter - 15/05/26
Uma exploração. Trilha sonora para essa edição: Themes for dreams, Resavoir I 16h. Brasília. Um pássaro repete o mesmo ritual há dias. Pousa no espelho retrovisor do carro vermelho estacionado sob a sombra das tamareiras da 308 sul. Se projeta para frente e para baixo para ver sua própria cara refletida no espelho. De cabeça para baixo e invertida, a imagem lhe fascina. Ele mexe a cabeça devagar, de um lado para o outro, tentando entender o que vê. Os olhos escuros pequenos e

Anna Davison
15 de mai.


Newsletter - 08/05/26
Prefiro que perdurem meus amores que não têm hora pra acabar. Mira Schendel. Untitled from Graphic Objects (Objetos gráficos). 1967. The Museum of Modern Art, New York. © 2023 Estate of Mira Schendel Trilha sonora para essa edição: Baioque, Chico Buarque Eu nunca escrevi poemas apaixonados. Mesmo no auge das minhas paixões mais violentas, eu fazia tudo, menos escrever. Talvez fosse concretizar demais algo que era muito mais bonito - e eterno - na minha cabeça. A verdade é q

Lívia Vitenti
8 de mai.


Newsletter - 01/05/26
Voltar para casa é uma forma de negação. Trilha sonora para essa edição: Cocoon, Harushita Tanaka I Um cheiro indefinível penetra pelas paredes, mais forte que o sol que não consegue ultrapassar as nuvens. Tudo é cinza, como a dor no meu ombro direito e no centro do peito. Se adaptar a uma casa onde já se viveu pode ser mais difícil do que parece É preciso respirar de forma lenta e controlada, ignorar o cheiro de comida que não agrada o epitélio já irritado pelo ar seco que

Anna Davison
1 de mai.


Newsletter - 24/04/24
Paradeiro

Lívia Vitenti
24 de abr.


Newsletter - 17/04/26
Horas perdidas e a tensão de cada cor. Trilha sonora para essa edição: Dialogue du vent et de la mer, Claude Debussy I Tem uma hora do dia que é perdida. Quer dizer, perdida para qualquer coisa que esteja fora de mim. A hora do lusco-fusco, quando o sol já se pôs, mas o escuro da noite ainda não chegou. Nessa hora, as cores ficam lavadas e eu me sento para ver o dia acabar. É preciso estar perto da janela, para poder olhar a escuridão chegando. Durante a hora perdida, me acho

Anna Davison
17 de abr.


Newsletter - 10/04/26
Ser habitada também por aquilo do qual eu me separei. Trilha sonora para essa edição: Papel Sulfite, Metá Metá Minha amiga Nathalie me visitou essa noite. Eu estava deitada na rede e a ouvi me chamar pelo nome, em francês mesmo. Na hora reconheci sua voz e tremi, porque ela faleceu há uns dois anos. Ela perguntou se podia se aproximar, e eu tive muito medo. Eu continuava deitada, e ela surgiu na minha frente com uma espécie de triângulo de madeira na mão. Ela dizia que se tr

Lívia Vitenti
10 de abr.


Newsletter - 03/04/26
Objects in the mirror are closer than they appear. Trilha sonora para essa edição: What It's Like to be a Bat, Finn Streuper I A distância até o mar é medida mais com o coração do que com a razão. Há muitos anos, tive um professor de fotografia que dizia que as fotos que tiramos da lua sempre nos decepcionam porque mostram a realidade, que é diferente do que a gente vê quando olha para ela: linda, enorme, hipnotizante. Esses dias me dei conta de que quando olho para o mar de

Anna Davison
3 de abr.


Newsletter - 27/03/26
Detalhe central do quadro O Jardim das Delícias Terrenas, de Hieronymus Bosch, exposto no Museu do Prado, Madrid. Trilha sonora para essa edição: Reis e Rainhas do Maracatu, Milton Nascimento Minha professora de canto uma vez me disse pra eu diminuir um pouco o som da corte que vive na minha cabeça. Eu achei muito perspicaz da parte dela, só que não entendi na hora que ela estava falando de uma corte suprema, mas sim uma corte real. Imaginei reis, rainhas, princesas e prí

Lívia Vitenti
30 de mar.


Newsletter - 20/03/26
Hoje de manhã entrei no mar. Trilha sonora para essa edição: Lightsong, Channelers I Hoje de manhã entrei no mar. Me concentrei no formato das bolhas da espuma das ondas que quebravam quase violentas contra minhas coxas. Reparei no brilho das pequenas partículas de areia misturadas à água. Pensei no meu irmão. Pensei em poesias. Pensei em como tenho muito para agradecer. Hoje de manhã entrei no mar e esse não é um texto sobre gratidão ou coisa que o valha. É, como muitos outr

Anna Davison
20 de mar.


Newsletter - 13/03/26
Trilha sonora da edição: Deus Xangô, Astor Piazzolla e Gerry Mulligan Nós encontramos verdades para o que carregamos no peito. É fé? Pode ser. Mas fé em que? Quando nós cismamos em acreditar em algo, é muito difícil nos convencer do contrário. O problema é que, por mais que sejamos amigas de nós mesmas (e quem avisa, amiga é), algumas vezes essas crenças podem ser traiçoeiras. Ferozes, mesmo. É que nem sempre esse convencimento nasce de nós mesmas. Ou nasce de uma vez só.

Lívia Vitenti
13 de mar.


Newsletter - 06/03/26
Como nasce um poema. Ou uma carta curta porque a correria anda grande. Trilha sonora para essa edição: Sun//Rain, Clariloops I Deitada na rede ao lado da janela, tomo um café já quase morno e leio um livro de poesia. Penso que nunca mais consegui escrever assim, como fazem os poetas. Sinto um comichão nas mãos, estalo o dedo mindinho com o polegar da mesma mão. A esquerda. Aquela que deveria ser a da criatividade? Já não sei se essa relação entre hemisférios do cérebro e lado

Anna Davison
6 de mar.


Newsletter - 27/02/26
Trilha sonora para essa edição: Mona Ki Ngi Xica, Bonga M.C.Escher - house of stairs 1951. Recorte da gravura original. Domínio público Numa noite dessas eu acordei com os dois primeiros versos de uma poesia ecoando no quarto. Isso me é incomum. Na maior parte das vezes, sonhos com títulos, temas, melodias e até enredos. É raro que o lampejo venha quando estou entre o sono e a vigília. Mas foi um desses casos. Era como se alguém tivesse sussurrado os versos, e eu milagrosamen

Lívia Vitenti
28 de fev.


Newsletter - 20/02/26
Luz, sombra, cutículas e outras incertezas mais. Trilha sonora para essa edição: Pieces from places, Passeport Duo I Minhas cutículas crescem na mesma velocidade com que os reflexos da luz atravessando a persiana se formam na parede. Parece que elas vão tomar todo o comprimento das minhas unhas e me impedir de escrever. Mas, deixa eu começar de novo. Da cama, vejo os reflexos que a luz do sol lança na parede. Ao longe, o som de algum bloquinho de carnaval. Nas minhas mãos um

Anna Davison
20 de fev.


Newsletter - 13/02/26
Bacia de Hadar, Etiópia, onde Lucy foi encontrada em 1974. Insitute of Human Origins, Arizona State University. Trilha sonora para essa edição: Yèkèrmo Sèw, Mulatu Astatke Imagino Lucy correndo por um relevo que só existe na minha cabeça. Há 3,2 milhões de anos, como seria a bacia de Hadar? Seria árida e rochosa como hoje em dia? Mais provável que não. Provavelmente havia matas ciliares, lagos, pedreiras, rios e paisagens abertas. Imagino Lucy correndo pelas pradarias, aden

Lívia Vitenti
13 de fev.


Newsletter - 06/02/26
O grande ar das palavras. Trilha sonora para essa edição: Loneliness is a state of mind, The Kyoto Connection I Tem um enorme bolsão de ar entre minha pele e o mundo. Para dentro, nesse emaranhado de nervos, veias, músculos, ossos e sangue, pulsa alguma coisa que não ando sabendo definir. Para fora, o bolsão parece impedir que eu me sinta parte do emaranhado de sons, cheiros, texturas e luzes. II Há dois dias, viajei de carro por quase mil quilômetros. Da janela em movimento,

Anna Davison
6 de fev.


newsletter - 30/01/26
Trilha sonora para essa edição: Movimiento - Jorge Drexler “Será que cheguei ao fim de todos os caminhos E só resta a possibilidade de permanecer? Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada Ou será ela a própria caminhada? Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram — Espírito! E gritaram — Coragem! Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha Que fecha tudo à libertação? Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos Ou cairei lutando contra o impossível que antolha

Lívia Vitenti
30 de jan.


Newsletter - 23/01/26
A Sarabatana está de volta! Calor em Brasília, frio em Montreal. Nós parecemos andar assim, nos últimos meses. Uma está sempre em casa, a outra sempre leva o lar pra onde vai. Uma sente pressa, a outra anda com mais calma. Uma quer ler mais, a outra quer escrever mais. Uma está contando as horas dos dias, a outra não vê as horas passarem. Nesse aparente descompasso, de dias, temperaturas, gostos e urgências, uma coisa nos unia e nos une na mesma cadência: a Sarabatana. Nossa
Revista Sarabatana
23 de jan.


Newsletter - 12/12/25
As sombras que caminham pelas paredes ainda são as mesmas. Trilha sonora para essa edição: Cocoon, Haruhisa Tanaka I Estar em casa é também enlouquecer. II Terminei um dos poemas do escrever de boca aberta , livro que publiquei ano passado pela Editora TAUP, com essa frase. No poema, eu falo de uma viagem de carro, durante a pandemia, entre a fazenda dos meus pais, perto de Brasília, onde eles estavam isolados, e São Paulo, onde eu vivia. Os tempos eram estranhos, como bem sa

Anna Davison
12 de dez. de 2025
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